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    08/02/2010 05/09/2010 05:58

    Assunto da Semana 51 - Carnaval X Patrimônio Histórico

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    Conheça o preparatório para o Exame de Ordem

    Marco Antonio Soalheiro - Agência Brasil

    Ouro Preto (MG) - As festas de carnaval regadas a quantidades abundantes de bebida alcoólica sempre foram uma marca das repúblicas estudantis de Ouro Preto. Nos últimos anos, entretanto, elas ampliaram o trabalho com a organização de blocos grandiosos e a venda de pacotes, impulsionada por estratégias de marketing eficientes e patrocínio de grandes marcas nacionais. Também pagam Imposto sobre Produtos e Serviços (ISS) à prefeitura (3% do que arrecadam).

    Com abadás a preços médios de R$ 100 e estadia de 5 dias a R$ 600 – valores que ficam maiores na medida em que a festa se aproxima - as repúblicas passaram a movimentar quantia financeira vultosa. Os lucros, segundo os estudantes, são todos revertidos para a manutenção dos casarões cedidos pela Universidade Federal de Ouro Preto. Alguns estão equipados com modernos aparelhos eletrônicos, guardados durante a folia. “A única fonte de renda estudantil é o carnaval e a manutenção de casas antigas envolve sempre um custo muito grande”, disse Rogério Alves, estudante de engenharia e morador da República Necrotério, que organiza o Caixão, maior bloco estudantil de Ouro Preto. Ele prefere não revelar o lucro obtido com a festa.

    A cada carnaval, a Necrotério recebe nos seus 11 quartos cerca de 70 hóspedes, para os quais disponibiliza 350 caixas de cerveja em garrafa. Para o desfile do bloco, vendeu neste ano 5.500 abadás pelo preço médio de R$ 100 e contratou a banda carioca Monobloco, por R$ 40 mil, para animar os foliões, que foram servidos com 80.000 latas de cerveja e amparados por estrutura de segurança profissional.

    Separada por poucos metros da Necrotério, a República Adega também mostra força na organização do Bloco Cabrobró, com 3,5 mil integrantes e que tem como principal atração a banda Farofa Carioca.

    “Vamos ficar perto do 0 a 0”, garantiu o estudante há mais tempo na república, Leandro Felipe, de 24 anos, referindo-se aos ganhos financeiros com a festa. “Uma banda custa R$ 50 mil, temos que comprar as bebidas [75 mil latas de cerveja, ice, energético, vodka, whiski e água], contratar segurança, gente para cozinhar e servir, alugar espaço”, acrescentou.

    Junto com o sucesso comercial do modelo de folia das repúblicas estudantis, vieram também as críticas de parte da população permanente local. O comerciante José Moreira, 53 anos, responsabiliza as repúblicas pela descaracterização do carnaval de Ouro Preto, ao estimularem uma festa inacessível para grande parte dos moradores.

    “Hoje o ouro-pretano virou visitante no seu próprio carnaval. Virou mercado, a busca pelo lucro fácil. [As repúblicas] Estão impondo em cima de organização e marketing. Os estudantes não podem ter essa liberdade”, criticou Moreira.

    O argumento estudantil de que os lucros são revertidos na reforma das casas históricas não convence o comerciante. “Essas casas são do governo federal. Caberia ao governo reformá-las. Tem estudante fazendo panfletagem do carnaval das repúblicas daqui em cruzeiros marítimos. Tem repúblicas tirando R$ 300 mil de lucro. Resta saber o que é feito do dinheiro. Depois do carnaval doam R$ 5 mil de cestas básicas para tentar mostrar uma caráter filantrópico”, atacou.

    “Por que no ano todo as casas [das repúblicas] não servem de albergue estudantil?”, questionou Vicente Trópia, dono de um dos restaurantes mais tradicionais da cidade, que se sente prejudicado pelo pacote de alimentação oferecido pelas repúblicas e pelo caos urbano provocado pelos estudantes.

    Quem mais perde com os pacotes das repúblicas é a rede hoteleira, que não consegue concorrer com os preços. O hotel e a pousada de propriedade do empresário Raimundo Saraiva - onde a diária para o casal sai por R$ 285 - estão com taxa de ocupação de 50%. O preço cobrado é inviável para a maioria dos estudantes, mas segundo Saraiva, a desordem provocada pelo turismo em massa afasta do carnaval ouro-pretano muitos de seus hóspedes em potencial.

    As críticas são respondidas pelo estudante Leandro Felipe com uma provocação aos que são contrários ao modelo de carnaval adotado pelos universitários: “As repúblicas, em geral, garantem uma movimentação importante na economia de Ouro Preto. Acho que as repúblicas deveriam passar um ano sem fazer carnaval na cidade, para a comunidade sentir o impacto”.

    A suposta descaracterização cultural do carnaval acarretada pelo modelo, por sua vez, é rechaçada pelo estudante Rogério Alves. “O carnaval ficou mais organizado, menos perigoso e mais selecionado. Antes estava virando uma bagunça que era ruim para a imagem da cidade”, garante.

    Quem consegue trabalho na estrutura das repúblicas, como o pedreiro Jóbson Teixeira e a doméstica Luciana de Oliveira, garante que elas são importantes geradoras de emprego e não devem ser criticadas por organizarem as mega-festas de carnaval.

    Na queda de braço, a prefeitura fica com as repúblicas. Segundo o secretário de Cultura e Turismo, Gleiser Boroni, elas fazem parte da cultura da cidade, desenvolvem todas as promoções dentro da legalidade e geram receita para o município. “O que a prefeitura tem que fazer é exigir aprovação dos bombeiros para as festas, expedir alvará e cobrar o ISS”, resumiu Boroni.

    Tomando por base o vídeo sobre o tema, queremos saber qual a sua opinião. Acreditam que a decisão de proibir que as repúblicas sejam locadas no carnaval é correta?

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    Comentários

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    • Achei Ruim Ruim

      10/02/2010 23:01 subir

      Luciano

      (Universidade Potiguar - UnP)

      Infelismente nosso país estar se desmanchando em festas. Minha cidade, sem comentários, é a pior de todas. Contudo, festas e mais festas têm deixado inúmeras cidades com índices elevados de violência. Lucro, só para quem as promove. Benefícios, só antissociais,pois geram inúmeras despesas aos cofres públicos, envolvendo a força pública - os orgãos de segurança pública - além do mais afeta a saúde pública que já é precaria. Geração de emprego, é uma asneira, será que aqueles que trabalha durante o carnaval só trabalham neste período ?. E o resto do ano não trabalham!. Em verdade vos digo: o povo brasileiro só quer saber de pão e festa, e é disso que nossos politicos gostam de promover. É uma tristeza. Estudem para mudar o rumo deste Brasil. O lazer é fundamental, não há dúvida, porém, o que querem na verdade estes estudantes de Ouro Preto é auferir lucros promovendo festas.

    • Achei Bom BomBom

      12/02/2010 17:45 subir

      Felipe de Castro

      (Universidade Potiguar - UnP)

      Havendo a devida fiscalização no uso do dinheiro arrecadado pelos universitários, utilizando os rendimentos para manutenção do patrimônio da união, essas festas passam a se tornar um bem de utilidade pública, pois irão custear as reformas e despesas das repúblicas aliviando os gastos que seriam da União. Não haveria o por que de suspenderem o uso destas residências, visto esses pontos relevantes e de benfeitorias, apenas tomar cuidado com a deterioração das residências e estreitar a fiscalização do uso do dinheiro arrecadado, com isso ganharia a União, a Prefeitura, os comerciantes locais e os foliões. Só quero também deixar registrado de que se os estudantes tomarem para si o dinheiro arrecadado através de um bem público é um ato ilegal, que pode se caracterizar como ato de improbidade administrativa, que pode ser praticado por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta, recebendo, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto. Um Abraço Fraternal a todos!

    • Achei Ótimo ÓtimoÓtimoÓtimo

      23/02/2010 09:11 subir

      Marcos

      (Universidade Potiguar - UnP)

      Tudo que é feito no mundo é semelhante a uma moeda, pois, sempre existiu e sempre irá existir duas faces, de um lado estão os que se beneficiam dos "carnavais republicanos", do outro estão as pessoas que se sentem prejudicadas por não conseguirem extrair beneficios e lucros dos eventos realizados por estes estudantes. É necessário que se veja os argumentos de cada um, com isso, discordo em parte dos argumentos dos estudantes que dizem que este carnaval movimenta a economia da cidade de Ouro Preto ao ponto de que se este carnaval deixar de existir a cidade sentiria um impacto por sua ausencia, logo que grandes pedidos de bebidas, alimentos, já que são itens pedidos em grande escala são realizados direto de fabricas ou distribuidoras provavelmente, com isso, o dinheiro investidos nestas áreas não seria influencia para a população desta cidade, a mesma coisa com bandas contratadas que recebem este cache geralmente são bandas de fora de sua cidade e mais uma vez o dinheiro não passa pela cidade de origem do carnaval, sobrando apenas os serviços de segurança e cozinha que serão contratos realizados por mão especializada da própria cidade movimentando um pouco sua economia, e indiretamente aumenta o trabalho municipal da limpeza publica, pois todos nós sabemos que carnaval = sujeira impossivel de separar os dois pois é inevitavel separa-los. Por outro lado, vendo o lado dos estudantes, temos que concordar que o poder executivo que existe administrar, manter e prestar serviços a população não faz com exelencia aquilo que deve ser feito e não é de hoje que educação não foi uma prioridade em nosso pais, com isso os casarões de estudades são abadonados e não recebem a devida atenção dos governantes para a sua manutenção e cabe aos estudades que necessitam de um ambiente adequado durante a sua estadia no local a manutenção fisica dos predios que não é nada facil e barato realiza-lo, lógico que todo o dinheiro arrecadado com o carnaval não é apenas para a sua manutenção disso não tenho duvidas e não acho errado os estudantes tirarem partes do lucro para suas próprias necessidades até porque eles trabalharam para isso. O que deve ser feito para uma melhor satisfação dos cidadãos da cidade é um maior investimento por parte da prefeitura para a organização de carnavais "publicos" proximo as pessoas que se sentem prejudicadas, fazendo com que novos folioes venham para Ouro Preto e movimentem a economia de hoteis, comercios e pousadas a fim de satisfazer a baixa causada em parte da cidade por parte do monopólio do carnaval.

    • Achei Ótimo ÓtimoÓtimoÓtimo

      23/02/2010 10:56 subir

      Fábio Queiroz

      (Universidade Potiguar - UnP)

      Temos que avaliar o assunto por dois primas: 1º O Ministério Público está certo ao intervir, visto que os casarões são propriedades do Estado, destinados para uma finalidade diversa do festa profana, e estão sendo usados durante o carnaval com o fim de hospedar outros que não são os estudantes. Mas, deve-se observar que os bens imóveis não estão sendo deteriorados, pelo contrário, são passíveis de reparos ao longo do ano com parte do lucro captado pelos estudantes, afinal conhecemos bem a morosidade e burocracia necessária para se iniciar uma construção ou reformas de bens públicos; 2º A cidade ganha com um turismo impulsionado pelas ofertas feitas pelos estudante, bem como, com a arrecadação de impostos. Ganha também a população que, direta ou indiretamente, é beneficiada com a geração de empregos temporários. Como, também, o comércio local que alcança um efetivo bom desempenho nas vendas. A decisão de proibir radicalmente o carnaval produzido, proporcionado pelos estudantes é erronea. Alguns pontos poderiam ser vistos, mas, finalizar algo que também ja se tornou cultural (hospedagem nas repúblicas), só irá trazer maleficíos para a cidade de Ouro Preto.

    • Achei Bom BomBom

      23/02/2010 11:49 subir

      Josy Figueiredo

      (Universidade Potiguar - UnP)

      Temos dois problemas em foco : o interesse e a interferência privada sobressaindo ao público. A partir o momento que há uma interferência do privado na esfera do poder público, crescem os conflitos entre as pessoas pois de um lado está a máquina governamental que tem obrigação constitucional de oferecer á população, neste caso específico, aos estudantes, moradia para que possam completar seus cursos. E de outro lado está o interesse puramente financeiro da mesma classe estudantil que além de usufruir do benefício das republicas quer lograr lucros alegando melhorias nas mesmas moradias que são custeadas pelo poder publico. Acredito que esse objetivo mencionado por estes estudantes são contraditórios, visto que tais republicas recebem verbas para serem rateadas de acordo com suas necessidades. Se por acaso tais verbas sejam insufcientes para as despesas e custos das repúblicas, cabem aos estudantes reinvidicarem melhorias. E não quererem usufruirem de um espaço que não pertencem a eles, fazendo disso um comércio ilegal e desleal perante a população de Ouro Preto.

    • Achei Ruim Ruim

      23/02/2010 12:10 subir

      Rui Santos Júnior

      (Universidade Potiguar - UnP)

      O povo gosta de pao e circo,e tome festa...

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